Transporte, liberação e revisão dos filmes de Nicholas Ray.
O Cinema é Nicholas Ray !
de 01 a 13 de novembro de 2011 no CCBB - Brasília.
de 15 de novembro a 04 de dezembro de 2011 no CCBB - Rio de Janeiro.
de 16 de novembro a 04 de dezembro de 2011 no CCBB - São Paulo.
Pela primeira vez, uma retrospectiva completa de Nicholas Ray no Brasil. Amado, odiado, criticado e respeitado, sua obra nunca pode ser tratada com indiferença.
A visualização contínua do conjunto da obra do cineasta, nos CCBB-Rio de Janeiro, CCBB-São Paulo e CCBB-Brasília, propiciará um debate mais contundente em torno da figura mítica do diretor e dos caminhos do cinema contemporâneo, para o qual ele continua uma figura de referência.
Sempre desconcertante, Ray aliava formas e ideias renovadoras que ecoaram forte na consciência de sua época, fazendo de seus filmes verdadeiros manifestos das crises, carências e esperanças de sua geração.
Ao mesmo tempo autoral e popular, a obra do cineasta possui o atrativo de reunir tanto o público cinéfilo cativo quanto o grande público, que decerto lembrará da figura de James Dean, trajando seu casaco vermelho pelas ruas de Juventude transviada (1955).
Além da projeção de todos os seus filmes, a mostra contará com eventos que engrandecem e redimensionam toda a experiência Nicholas Ray:
- Seminário: com a presença de Susan Ray, viúva e colaboradora de Nicholas Ray, nos CCBBs: RJ, SP e Brasília;
- Masterclass: análise história e estética da obra de Nicholas Ray, ministrada pelo chefe de conservação e preservação da cinemateca do MAM-RJ, e especialista em Nicholas Ray, Hernani Heffner (RJ);
- Debate: reflexão sobre a recepção crítica de Nicholas Ray no Brasil, as relações entre o cinema moderno e clássico e as permanências de Nicholas Ray, com Ruy Gardnier e Luis Alberto Rocha Melo (RJ);
- Debate: reflexão sobre a recepção crítica de Nicholas Ray no Brasil, as relações entre o cinema moderno e clássico e as permanências de Nicholas Ray, com Inácio Araújo e Luiz Carlos Oliveira Júnior (a confirmar) (SP);
Através de apoio institucional da Universidade Federal Fluminense, o professor doutor Fabián Nuñez, em conjunto com a mostra O Cinema é Nicholas Ray, ministra uma matéria optativa para os alunos do Curso de Cinema da UFF, tendo como objeto de estudo Nicholas Ray e seu tempo, a Hollywood dos anos 50. A mostra disponibilizará ainda em seu site oficial (ainda em construção http://www.nicholasray.com.br/), dois trabalhos de destaque, realizados na cadeira, selecionados pelo professor doutor Fabián Nuñez.
De forma a responder plenamente à força criativa e importância da obra de Ray, a mostra irá ainda publicar um Catálogo-Livro inédito focado no diretor. O catálogo é a primeira referência bibliográfica brasileira acerca do cineasta, e está recheado de textos que refletem as várias maneiras que pensadores, críticos e estudiosos se aproximaram, ou distanciaram, dos filmes de Nicholas Ray. Partindo de uma perspectiva cronológica, o catálogo fará um mapeamento geral de tudo o que foi escrito sobre Ray no Brasil e no mundo, contando com críticas e ensaios de pessoas como Antônio Moniz Vianna, Alex Viany, Paulo Emílio Salles Gomes, e muitos outros. Ainda, o catálogo trará textos inéditos escritos pelo próprio Nicholas Ray, ampliando ainda mais o escopo referencial por trás de sua vida e obra. A publicação cumpre uma dupla função: vai de Ray aos críticos e dos críticos ao Ray - uma maneira de dar estofo e forma à uma vida permeada por contradições e afirmações, do amor ao ódio, do ódio ao amor, eternamente.
A mostra é também uma homenagem: o ano de 2011 marca o centenário de Nicholas Ray. Por anos esquecido no Brasil, boa parte de sua obra não foi visualizada pela geração atual, que raramente tem oportunidade para encontra-los até mesmo em vídeo locadoras. Com o apoio integral da Nicholas Ray Foundation, especialmente da senhora Susan Ray, a mostra O Cinema é Nicholas Ray exibirá sua obra completa, trazendo ainda dois títulos raríssimos e inéditos no Brasil, no formato de exibição original em que foram pensados desde a concepção de cada filme: a sala de cinema. De um lado, a projeção do último grande projeto de Nicholas Ray, realizado em coletivo por ele e seus alunos da Universidade de Binghamton, Nova York: o experimental We Can’t Go Home Again. Do outro, um filme-homenagem dirigido por Susan Ray sobre os últimos dias de filmagens de We Can’t Go Home Again, intitulado Don’t Expect Too Much (2011).
A nova cópia de We Can’t Go Home Again, em projeto coordenado por Susan Ray, teve seu lançamento mundial na Bienal de Veneza, em Setembro de 2011. Uma verdadeira reedição, a nova montagem foi produzida a partir de anotações deixadas por Nicholas Ray sobre seu projeto, em seus escritos, em seus diários. A primeira cópia produzida do filme foi exibida no Festival de Cannes de 1973, sob um aviso de Nicholas Ray, que dizia ao público que assistiriam a um filme inacabado. Ray não chegou a finalizar o filme, falecendo em 1979. Trinta e dois anos depois, sua viúva (40 anos mais jovem) finaliza seu projeto e tem a oportunidade de realizar seu lançamento latino-americano na mostra O Cinema é Nicholas Ray. Susan estará presente nos lançamentos em cada cidade, complementando-os com um seminário focado especialmente na visão estética por trás do filme. Depois da exibição na Itália, o filme passou pelos Estados Unidos no New York Film Festival na primeira semana de Outubro de 2011 e chega ao Brasil em Novembro respectivamente em Brasília-DF, Rio de Janeiro-RJ e São Paulo-SP. E, com um fator original em relação a qualquer outra retrospectiva mundial, a mostra exibirá no Brasil tanto a edição de 2011, quanto a “inacabada” de 1973, oferecendo ao público a oportunidade de ver o processo de trabalho, as diferenças de montagem, ou mesmo, a verdadeira a proposta de realização.
Publicada em 04/11/2011
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